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Atividade do GEPPAV

Maquetistas vilarmourenses na Visão História em artigo do GEPPAV

Os maquetistas em gesso de Vilar de Mouros, que foram em 2009 objeto de um pioneiro estudo pelo GEPPAV — "Dos caiadores aos estucadores e maquetistas vilarmourenses" — vão agora beneficiar de uma mais ampla divulgação pública beneficiando da publicação de um artigo na revista especializada "Visão História", do grupo Impresa, num número temático dedicado à Exposição do Mundo Português de 1940, saído para as bancas no mês maio.

Sob o sugestivo título "Os gigantes das miniaturas", da responsabilidade dos editores da revista, a parte inicial da extraordinária história dos maquetistas da freguesia — que dominaram o panorama da maquetagem em gesso no nosso país até aos anos 80 do século XX e ainda tiveram uma importante diáspora pela Europa e África — é resumida em duas páginas e ilustrada com uma magnífica fotografia de 1939 em que os jovens Manuel Renda, João Barros e Ticiano Violante produzem a maqueta da exposição, a primeira grande maqueta de arquitetura e urbanismo feita em Portugal.

Intervenção do GEPPAV em mais uma reunião da Câmara em Vilar de Mouros

Intervenção do GEPPAV na Reunião Descentralizada da Câmara em Vilar de Mouros em 26 de abril de 2017

1. O GEPPAV recebeu na primeira semana do mês de Abril de 2014, uma comunicação oficial da Direção Geral do Património Cultural relativa à proposta por nós feita em Novembro de 2011 para a classificação patrimonial das Oficinas de Ferreiros Fontes e Torres, no lugar da Torre, em Vilar de Mouros. 

2. Nesse ofício, assinado pelo Diretor-Geral, Nuno Vassalo e Silva, que subscrevia o parecer técnico da Direção Regional de Cultura do Norte, e os pareceres concordantes do Diretor Regional, António Ponte, e do Diretor de Serviços, Miguel Rodrigues, propunha-se para ambas as oficinas a sua CLASSIFICAÇÃO COMO DE INTERESSE MUNICIPAL, aí constando o seguinte:

 “Atendendo ao seu valor histórico, sócio-económico, tecnológico, no âmbito do património cultural, neste caso industrial, e sendo um dos projetos — a reabilitação da Oficina Fontes — da autoria de José Porto, arquiteto com uma importância a nível nacional e internacional pelos projetos realizados, o espólio que ainda conserva, considera-se que o significado cultural é local, regional, pelo que se propõe a classificação das Oficinas Torres e Fontes como CONJUNTO DE INTERESSE MUNICIPAL, devendo ser enviado à autarquia o processo para que esta promova a respetiva classificação”.

3. No dia 28 de Maio desse mesmo ano de 2014, viemos à primeira reunião descentralizada da Câmara realizada em Vilar de Mouros, perguntar que passos ia dar o executivo municipal para dar cumprimento a esta proposta;

4. Um ano e cinco meses depois, no dia 28 de outubro de 2015, quando da realização da segunda reunião descentralizada em Vilar de Mouros, perguntámos ao executivo em que passo estava esse processo de classificação;

5. Hoje, um ano e seis meses passados, neste dia 26 de Abril de 2017, nesta terceira descentralizada da Câmara na nossa freguesia, dada a contínua e visível degradação do património das duas oficinas, sobretudo da Oficina Fontes, repetimos esta simples pergunta: em que fase está o processo de classificação das oficinas de ferreiros Torres e Fontes como Imóvel de Interesse Municipal?

Obituário de João Laerte Fife Torres (1928-2016)

Faleceu no dia 2 de outubro de 2016, no n.º 64 da rua Dr. Cláudio Bastos da freguesia de Santa Maria Maior da cidade de Viana do Castelo, na casa onde vivia com sua esposa Rosa Gonçalves Aldeia, João Laerte Fife Torres, aos oitenta e oito anos de idade, deixando dois filhos: João Duarte Gonçalves Torres e Maria Clara Gonçalves Torres.

João Laerte Fife Torres nasceu em Vilar de Mouros no dia 6 de abril de 1928 no seio de uma família de estucadores, os Fife. Após completar a escola primária, logo o avô Domingos Fife o chamou para se juntar a ele em Lisboa. Aí fez a dura aprendizagem nas obras de estuque, combinada com as aulas noturnas nas escolas industriais, antes de optar pelo mais delicado, e preferido, trabalho de maquetagem em gesso. Empreendedor, dirigiu a sua própria oficina em Belém antes de ser por último empreiteiro quando as razões económicas foram mais fortes que as de coração. Em 1975, trinta e quatro anos depois de ter chegado à capital, regressou definitivamente à aldeia natal, ainda a tempo de ensinar aos mais jovens a arte e mestria herdada das anteriores gerações de estucadores, depois aplicada nas maquetas.

O gosto de João Laerte em contar histórias e uma constante disponibilidade e simpatia foram de grande utilidade para que o GEPPAV pudesse levar a cabo um estudo sobre os estucadores e maquetistas vilarmourenses editado em 2009, no qual se inclui uma sua extensa entrevista realizada no dia 26 de novembro de 2005. Já depois da publicação desse estudo e na sequência da exposição que o enquadrou e esteve então patente na estufa do Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense — instituição de que João Laerte foi sócio desde tenra idade —, este destacado maquetista teve uma particular satisfação no dia 25 de março de 2010. Nessa ocasião, devidamente restaurada pelas suas mãos, foi solenemente colocada em exposição permanente no átrio principal de entrada do Hospital de Santa Luzia, em Viana do Castelo, a grande maqueta em gesso do mesmo hospital por si modelada em 1970 a partir do anteprojeto do arquitecto Raul Chorão Ramalho.

João Laerte Fife Torres foi a sepultar no cemitério de Vilar de Mouros, no dia 3 de Outubro de 2016, pelas quinze horas. Com o presente obituário, o GEPPAV presta uma sentida homenagem a este vilarmourense, a quem fica a dever uma continuada colaboração e ajuda no sentido da preservação da história de Vilar de Mouros e da memória do seu povo.

 


 

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